Placas solares de má qualidade causam guerra de preços no Brasil

Cenário global de sobreoferta provoca inundação de equipamentos irregulares e gera alerta para sistemas fotovoltaicos ineficientes

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A sobreoferta global de equipamentos fotovoltaicos tem provocado uma inundação de placas solares de má qualidade no mercado brasileiro, resultando em uma guerra de preços. Empresas alertam que escolha por produtos irregulares e não certificados, levando em consideração apenas o custo, podem levar a instalações ineficientes que não entregam a geração prometida, causando prejuízos ao consumidor.

“O que se vê no mundo é uma demanda menor do que a oferta e isso está fazendo com produtos de má qualidade cheguem ao país. Isso é um problema para o consumidor”, declarou o diretor superintendente de energia na Intelbras, Marcio Ferreira, durante entrevista coletiva concedida durante a Intersolar South America 2024.

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O executivo apontou que é preciso cuidado com qual empresa comprar e qual marca de painel solar escolher. “Não é tudo igual, começa desde a célula fotovoltaica, a fabricação, os componentes, a certificação, quem é a empresa responsável no Inmetro, porque em breve vai ter muito consumidor órfão no pós-venda.”

O aumento da capacidade produtiva da indústria chinesa, que concentra mais de 80% da fabricação mundial de placas solares, levou a uma forte redução de preços desde o ano passado. Essa expansão não mostra sinais de desaceleração e, com a oferta superando a demanda, ocorre um acirramento da competição entre fabricantes, pressionando as marcas com menor desenvolvimento tecnológico e folego financeiro.

Uma das consequências dessa dinâmica é que “refugos” sejam despejados em mercados ao redor do mundo com preços muito abaixo do sustentável, prejudicando a concorrência com equipamentos certificados e trazendo riscos aos consumidores.

Retorno do investimento

O diretor comercial de energia solar da Intelbras, Márcio Osli, detalhou que, um consumidor que opta por um produto de qualidade duvidosa em razão do preço, pode terminar com um prejuízo no longo prazo.

“Quem investe em energia solar obtém o retorno do dinheiro com a economia de energia. A escolha por um produto ruim vai resultar em um payback de, no máximo, 3 meses mais rápido, o que não vale o risco de um produto sem garantia. Com um equipamento de qualidade e uma prestação de serviço adequado, o consumidor pode ficar tranquilo por 25 anos”, apontou Osli,

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Além disso, ele apontou que um sistema fotovoltaico composto por equipamentos ineficientes tende a produzir menos que o prometido e deteriorar-se mais rapidamente. “Se a geração for abaixo do projetado, o cliente já perdeu dinheiro no primeiro ano. Esses três meses de payback mais rápido terminam numa dor de cabeça eterna”, disse o executivo.

Conscientização

A potência das placas solares deve apresentar um valor potencial entre 100% e 105%, além de conter a declaração pelo fabricante na folha de dados ou no manual do produto, conforme regulamentado pelo Inmetro no Regulamento Técnico da Qualidade e nos Requisitos de Avaliação da Conformidade para Equipamentos de Geração e afins, Portaria Nº 140, 2022.

Apesar da existência dessa regulamentação no território brasileiro, o investimento precisa ser realizado com atenção devido à venda desses materiais com baixa qualidade e sem garantia por alguns fabricantes no mercado. O cenário levou a Trina Solar lançar uma campanha com objetivo de conscientizar os consumidores a respeito da aquisição de placas solares irregulares.

“De modo global, a distribuição de módulos de energia solar irregulares prejudica o crescimento sustentável do mercado fotovoltaico. Já para os clientes, a compra afeta na má eficiência dos projetos de investimentos e no prejuízo financeiro para o bolso do consumidor devido ao baixo desempenho do material”, explicou a gerente de marketing e comunicação para América Latina e Caribe da Trina Solar, María José Muñoz.

“A partir da campanha ‘Conhecimento é Poder’, queremos entregar todas as ferramentas necessárias desde a informação a partir de palestras, troca de contatos e espaços de negócios com ecossistema brasileiro do setor até soluções de alta tecnologia que promovam segurança, durabilidade e eficiência”, explicou o head de produtos e marketing da Trina Solar para América Latina, Matheus D'Alécio Rodrigues.

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Ricardo Casarin

Repórter de economia e negócios, com passagens pela grande imprensa. Formado na Universidade de Metodista de São Paulo, possui experiência em mídia impressa e digital e na cobertura de diversos setores como petróleo e gás, energia, mineração, papel e celulose, automotivo, entre outros.

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